quarta-feira, 18 de novembro de 2015

RELAÇÃO ENTRE BIOTECNOLOGIA, MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE: ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS.

De acordo com Ferro (2010) o termo biotecnologia foi usado pela primeira vez em 1919, pelo engenheiro húngaro Karl Ereky, mas sua definição oficial aconteceu em 1992 na Convenção sobre Diversidade Biológica. Segundo o mesmo, essa foi posteriormente ratificada por 168 países e aceita pela Food and Agriculture Organization (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como sendo: "qualquer aplicação tecnológica que usa sistemas biológicos, organismos vivos ou seus derivados, para criar ou modificar produtos e processos para usos específicos".
Para Silva (2014) citado por Patriarcha (2014) a biotecnologia significa qualquer aplicação tecnológica que utiliza sistemas biológicos, organismos vivos, ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica. Segundo o mesmo Trata-se de uma importante ferramenta tecnológica baseada na manipulação das menores estruturas que compõem os seres vivos.
No campo da agricultura e da pecuária, de acordo com os estudiosos, os OGMs prometem trazer diversos benefícios, tais como: aumento na capacidade produtiva das lavouras, maior durabilidade dos alimentos, plantas mais resistente a ataques de pragas, carne com maior teor de proteína e menor quantidade de gordura, leite com mais vitaminas, entre outros resultados vantajosos. (SILVA, 2014 apud PATRIARCHA 2014). No entanto, segundo a autora ainda não podemos nos sentir confortáveis com as promessas acima relatadas, pois os estudos sobre as potenciais consequências dos OGMs não são conclusivos e não sabemos ao certo os efeitos que, em longo prazo, tais organismos podem causar na saúde humana e no meio ambiente.
Segundo o site cib.org.br (2013) o levantamento feito pelo Water Resources Group, diz que
a agricultura é responsável por aproximadamente 71% do consumo de água em todo o planeta (o equivalente a 3,1 bilhões de m³). A adoção da biotecnologia no setor primário já está promovendo um uso mais eficiente desse recurso natural. O cultivo de plantas geneticamente modificadas (GM) tolerantes a defensivos químicos racionaliza a água usada para as pulverizações. Levantamento da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) e da Céleres Ambiental revela que, entre os anos de 2010 e 2020, o uso dessas variedades na agricultura brasileira poderá economizar aproximadamente 134 bilhões de litros de água.
Outra consequência positiva indireta é a adoção de transgênicos na agricultura, uma vez que promove a redução da emissão de COna atmosfera.  De acordo com o site cib.org.br (2013)
isso acontece porque, como as lavouras GM tem manejo facilitado, há menos necessidade do uso das máquinas agrícolas, reduzindo, assim, o uso de combustível responsável pela liberação do CO2. Adicionalmente, há o benefício associado da preservação do solo que é menos compactado por esse maquinário. As vantagens agronômicas que as sementes transgênicas oferecem resultam em menos perdas em razão de plantas invasoras ou ataques de insetos, e isso significa aumento de produtividade por área plantada. Em última análise, a biotecnologia reduz a pressão por novas áreas agricultáveis, preservando, dessa maneira, também as florestas e vegetações nativas que sequestram carbono e mitigam os efeitos do aquecimento global.
A Biotecnologia, portanto, se constitui num conjunto de ferramentas poderosas e muito flexíveis que oferecem e vêm possibilitando a pesquisa e o desenvolvimento de diversos produtos de uso comum e sustentável no mundo, incrementando a produtividade agrícola, monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas e a elevação da qualidade ambiental (SILVEIRA, 2002 apud ALVES, 2007).
Além da contribuição que a biotecnologia já está dando para a preservação do meio ambiente, a técnica da modificação genética tem o potencial de fazer ainda mais. Segundo o site cib.org.br (2013)
uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem como objetivo identificar os genes que fazem com que algumas plantas absorvam metais pesados em grande quantidade. Uma vez desvendado esse mecanismo genético, a biotecnologia poderia contribuir, por exemplo, superexpressando esse(s) gene(s). O resultado seria o desenvolvimento de variedades transgênicas não comestíveis com alta capacidade de absorção, utilizadas para recuperação de solos e águas contaminadas com metais pesados.
Ainda de acordoo com o site cib.org.br (2013) outras plantas em fase de estudo são variedades geneticamente modificadas para serem resistentes à seca. Empresas públicas e privadas do Brasil e do mundo estão desenvolvendo, por exemplo, canas-de-açúcar, sojas e trigos que tolerariam melhor a escassez de água do que suas versões convencionais. Segundo o site isso representaria não só a economia desse recurso natural como permitiria a agricultura em solos que hoje sofrem com a falta de chuvas ou reduzido acesso a outras fontes de recursos hídricos. Mais uma vez, as florestas seriam preservadas.
Por outro lado, segundo o site pensamentoverde.com.br (2015) a utilização de culturas modificadas provocaria um grande desequilíbrio nos ecossistemas agrícolas. Além de livrar as plantas de pragas, as modificações também abalariam toda uma delicada cadeia de outros animais benéficos ao ambiente e ao solo, quebrando uma cadeia harmônica e natural. Ainda segundo o mesmo a utilização dos transgênicos promove a diminuição da biodiversidade.
O site pensamentoverde.com.br (2015) relata que por causa da busca por maior produtividade em larga escala, espécies locais dos alimentos acabam sendo praticamente extintas do processo de cultivo, trocadas por versões modificadas geneticamente (mais resistentes e lucrativas). Além disso, as espécies transgênicas acabariam, exatamente por sua resistência, se proliferando de forma descontrolada, gerando, mais uma vez, vários focos de desequilíbrio ambiental.
Desta maneira, Silva (2014) citado Patriarcha (2014) enfatiza que se por um lado, a biotecnologia pode apresentar relevantes avanços em campos como o da agricultura, por outro pode também apresentar riscos ao maio ambiente e à saúde humana, motivo pelo qual impõe-se o adequado controle dos impactos dessa nova ferramenta tecnológica.

Referências

Ferro. E. S. Biotecnologia translacional: hemopressina e outros peptídeos intracelulares. Estud. av. vol.24 n.70 São Paulo,  2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142010000300008&script=sci_arttext> Acesso em: 17 nov. 2015

ALVES. J. B. Biotecnologia e meio ambiente: Representações sociais de professores de ciências. 2007. Disponível em: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/Ciencias/Dissertacoes/Dissertacoes-Leisa/cp048609.pdf> Acesso em: 17 nov. 2015

Patriarcha. G. C. M. Biotecnologia: a busca do equilíbrio entre a saúde humana, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico. 2014. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/29535/biotecnologia-a-busca-do-equilibrio-entre-a-saude-humana-o-meio-ambiente-e-o-desenvolvimento-economico> Acesso em: 17 nov. 2015

Biotecnologia e meio ambiente, uma associação a favor da sustentabilidade.  <http://cib.org.br/em-dia-com-a-ciencia/biotecnologia-e-meio-ambiente-uma-associacao-a-favor-da-sustentabilidade/> Acesso em: 17 nov. 2015.

As vantagens e desvantagens dos alimentos transgênicos. Disponível em: <http://www.pensamentoverde.com.br/produtos/vantagens-desvantagens-alimentos-transgenicos/> Acesso em: 18 nov. 2015.