De
acordo com Ferro (2010) o termo biotecnologia foi
usado pela primeira vez em 1919, pelo engenheiro húngaro Karl Ereky, mas sua
definição oficial aconteceu em 1992 na Convenção sobre Diversidade Biológica. Segundo
o mesmo, essa foi posteriormente ratificada por 168 países e aceita pela Food
and Agriculture Organization (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS),
como sendo: "qualquer aplicação tecnológica que usa sistemas biológicos,
organismos vivos ou seus derivados, para criar ou modificar produtos e
processos para usos específicos".
Para
Silva (2014) citado por Patriarcha (2014) a biotecnologia significa qualquer
aplicação tecnológica que utiliza sistemas biológicos, organismos vivos, ou
seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para
utilização específica. Segundo o mesmo Trata-se de uma importante ferramenta
tecnológica baseada na manipulação das menores estruturas que compõem os seres
vivos.
No
campo da agricultura e da pecuária, de acordo com os estudiosos, os OGMs
prometem trazer diversos benefícios, tais como: aumento na capacidade produtiva
das lavouras, maior durabilidade dos alimentos, plantas mais resistente a
ataques de pragas, carne com maior teor de proteína e menor quantidade de gordura,
leite com mais vitaminas, entre outros resultados vantajosos. (SILVA, 2014 apud PATRIARCHA 2014). No entanto, segundo
a autora ainda não podemos nos sentir confortáveis com as promessas acima
relatadas, pois os estudos sobre as potenciais consequências dos OGMs não são
conclusivos e não sabemos ao certo os efeitos que, em longo prazo, tais
organismos podem causar na saúde humana e no meio ambiente.
Segundo
o site cib.org.br (2013) o levantamento feito pelo Water Resources Group, diz
que
a
agricultura é responsável por aproximadamente 71% do consumo de água em todo o
planeta (o equivalente a 3,1 bilhões de m³). A adoção da biotecnologia no setor
primário já está promovendo um uso mais eficiente desse recurso natural. O
cultivo de plantas geneticamente modificadas (GM) tolerantes a defensivos
químicos racionaliza a água usada para as pulverizações. Levantamento da
Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) e da Céleres Ambiental
revela que, entre os anos de 2010 e 2020, o uso dessas variedades na
agricultura brasileira poderá economizar aproximadamente 134 bilhões de litros
de água.
Outra
consequência positiva indireta é a adoção de transgênicos na agricultura, uma
vez que promove a redução da emissão de CO2 na atmosfera. De acordo com o site cib.org.br (2013)
isso
acontece porque, como as lavouras GM tem manejo facilitado, há menos
necessidade do uso das máquinas agrícolas, reduzindo, assim, o uso de combustível
responsável pela liberação do CO2. Adicionalmente, há o benefício
associado da preservação do solo que é menos compactado por esse maquinário. As
vantagens agronômicas que as sementes transgênicas oferecem resultam em menos
perdas em razão de plantas invasoras ou ataques de insetos, e isso significa
aumento de produtividade por área plantada. Em última análise, a biotecnologia
reduz a pressão por novas áreas agricultáveis, preservando, dessa maneira,
também as florestas e vegetações nativas que sequestram carbono e mitigam os
efeitos do aquecimento global.
A
Biotecnologia, portanto, se constitui num conjunto de ferramentas poderosas e
muito flexíveis que oferecem e vêm possibilitando a pesquisa e o
desenvolvimento de diversos produtos de uso comum e sustentável no mundo,
incrementando a produtividade agrícola, monitoramento ambiental, recuperação de
áreas degradadas e a elevação da qualidade ambiental (SILVEIRA, 2002 apud
ALVES, 2007).
Além
da contribuição que a biotecnologia já está dando para a preservação do meio
ambiente, a técnica da modificação genética tem o potencial de fazer ainda
mais. Segundo o site cib.org.br (2013)
uma
pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem
como objetivo identificar os genes que fazem com que algumas plantas absorvam
metais pesados em grande quantidade. Uma vez desvendado esse mecanismo
genético, a biotecnologia poderia contribuir, por exemplo, superexpressando
esse(s) gene(s). O resultado seria o desenvolvimento de variedades transgênicas
não comestíveis com alta capacidade de absorção, utilizadas para recuperação de
solos e águas contaminadas com metais pesados.
Ainda
de acordoo com o site cib.org.br (2013) outras plantas em fase de estudo são
variedades geneticamente modificadas para serem resistentes à seca. Empresas
públicas e privadas do Brasil e do mundo estão desenvolvendo, por exemplo,
canas-de-açúcar, sojas e trigos que tolerariam melhor a escassez de água do que
suas versões convencionais. Segundo o site isso representaria não só a economia
desse recurso natural como permitiria a agricultura em solos que hoje sofrem
com a falta de chuvas ou reduzido acesso a outras fontes de recursos hídricos.
Mais uma vez, as florestas seriam preservadas.
Por
outro lado, segundo o site pensamentoverde.com.br (2015) a utilização de
culturas modificadas provocaria um grande desequilíbrio nos ecossistemas
agrícolas. Além de livrar as plantas de pragas, as modificações também
abalariam toda uma delicada cadeia de outros animais benéficos ao ambiente e ao
solo, quebrando uma cadeia harmônica e natural. Ainda segundo o mesmo a
utilização dos transgênicos promove a diminuição da biodiversidade.
O
site pensamentoverde.com.br (2015) relata que por causa da busca por maior
produtividade em larga escala, espécies locais dos alimentos acabam sendo
praticamente extintas do processo de cultivo, trocadas por versões modificadas
geneticamente (mais resistentes e lucrativas). Além disso, as espécies
transgênicas acabariam, exatamente por sua resistência, se proliferando de
forma descontrolada, gerando, mais uma vez, vários focos de desequilíbrio
ambiental.
Desta
maneira, Silva (2014) citado Patriarcha (2014) enfatiza que se por um lado, a
biotecnologia pode apresentar relevantes avanços em campos como o da
agricultura, por outro pode também apresentar riscos ao maio ambiente e à saúde
humana, motivo pelo qual impõe-se o adequado controle dos impactos dessa nova
ferramenta tecnológica.
Referências
Ferro. E. S. Biotecnologia
translacional: hemopressina e outros peptídeos intracelulares. Estud.
av. vol.24 n.70 São Paulo, 2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142010000300008&script=sci_arttext>
Acesso em: 17 nov. 2015
ALVES. J. B. Biotecnologia
e meio ambiente: Representações sociais de professores de ciências. 2007. Disponível
em:
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/Ciencias/Dissertacoes/Dissertacoes-Leisa/cp048609.pdf>
Acesso em: 17 nov. 2015
Patriarcha.
G. C. M. Biotecnologia: a busca do
equilíbrio entre a saúde humana, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico.
2014. Disponível em:
<http://jus.com.br/artigos/29535/biotecnologia-a-busca-do-equilibrio-entre-a-saude-humana-o-meio-ambiente-e-o-desenvolvimento-economico>
Acesso em: 17 nov. 2015
Biotecnologia e meio ambiente, uma associação a favor da sustentabilidade. <http://cib.org.br/em-dia-com-a-ciencia/biotecnologia-e-meio-ambiente-uma-associacao-a-favor-da-sustentabilidade/> Acesso em: 17 nov. 2015.
Biotecnologia e meio ambiente, uma associação a favor da sustentabilidade. <http://cib.org.br/em-dia-com-a-ciencia/biotecnologia-e-meio-ambiente-uma-associacao-a-favor-da-sustentabilidade/> Acesso em: 17 nov. 2015.