segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ALFABETIZAÇÃO DE SURDOS

Um dos principais problemas argumentados pelos defensores da escola bilíngue em libras-português é o fato de não existir na instituição pública regular uma educação que trate libras como a língua materna desses alunos, apesar de a Lei nº 9394/96 e o Decreto Federal nº 5.626, de 2005, estabelecerem esse direito. Quando há o Atendimento Educacional Especializado (AEE), o mesmo funciona como um reforço e ocorre poucos dias por semana, tempo insuficiente para o aprendizado da libras como primeiro idioma. Desta forma a criança surda não desenvolve o conhecimento da língua materna, e os gestos realizados pelo intérprete não passam de mais códigos sem sentido, assim como são as palavras e os números.
Outro grande problema é que o método de alfabetização adotado em muitas escolas é o fônico, apoiado nos sons das letras. Sendo assim, a tradução literal feita em sala por um intérprete não funciona. É de fundamental importância ensinar o português com uma metodologia condicente com as necessidades do aluno, mais apoiada no uso de recursos visuais. As dificuldades se refletem na baixa presença de crianças surdas nas escolas comuns. Mesmo que as matrículas estejam aumentando, ainda são pouco significativas, de acordo com o Censo Escolar 2012, há 27.540 alunos com surdez matriculados em turmas regulares. Segundo o Censo Demográfico 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 800 mil pessoas surdas ou com deficiência auditiva até 17 anos no país. 
A comunidade surda utiliza um tipo de ensino voltado exclusivamente às necessidades dessas crianças na tentativa de garantir a aprendizagem das mesmas. Por influência desse grupo, a meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020, em tramitação no Congresso, foi modificada, abrindo a possibilidade de atendimento em escolas bilíngues. No entanto essa opção não é a mais favorável uma vez que não garante o acesso a todos. Manter escolas bilíngues em todos os bairros do país é uma tarefa quase impossível e o acesso escolar é um direito. Além disso, priva a criança de conviver com o diferente. Uma ótima maneira seria se houvesse a capacitação dessas instituições regulares  para melhor atender a todos. 
Portanto a solução seria a elaboração e implementação urgente de políticas públicas que deem suporte à inclusão de crianças surdas, visando à escola como uma comunidade bilíngue, com livros, filmes e outros materiais adaptados, sinalizações nas duas línguas, oportunidades de trabalho a funcionários surdos e realização de palestras e cursos de libras para todos. Contudo o primeiro passo seria investir em formação de educadores, tornando a libras parte do cotidiano, não se restringindo apenas a sala de AEE. Desta forma enquanto o país adiar a adoção de tais medidas, a inclusão desses estudantes só existirá no discurso.


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/ninguem-fala-mesma-lingua-alfabetizacao-surdos-inclusao-787415.shtml?page=1

Um comentário:

  1. Olá Denise!
    Parabéns pela escolha, muito interessante! A escolarização do surdo apresenta muitos obstáculos e penso que a alfabetização seja o maior deles.Como salientado em sua postagem, a alfabetização, geralmente, é baseada nos sons que as letras representam, sabemos que os
    surdos não percebem essa relação da mesma forma que os ouvintes .Diante disto, faz-se necessária a reflexão sobre as práticas pedagógicas que estão sendo utilizadas, buscando reelaborar suas práticas, além de procurar por caminhos que oportunizem a esses alunos com necessidades educativas especiais uma alfabetização satisfatória.

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