Outro
grande problema é que o método de alfabetização adotado em muitas escolas é o
fônico, apoiado nos sons das letras. Sendo assim, a tradução literal feita em
sala por um intérprete não funciona. É de fundamental importância ensinar o
português com uma metodologia condicente com as necessidades do aluno, mais
apoiada no uso de recursos visuais. As
dificuldades se refletem na baixa presença de crianças surdas nas
escolas comuns. Mesmo que as matrículas estejam aumentando, ainda são pouco
significativas, de acordo com o Censo Escolar 2012, há 27.540 alunos com surdez
matriculados em turmas regulares. Segundo o Censo Demográfico 2010, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 800 mil pessoas
surdas ou com deficiência auditiva até 17 anos no país.
A
comunidade surda utiliza um tipo de ensino voltado exclusivamente às
necessidades dessas crianças na tentativa de garantir a aprendizagem das mesmas.
Por influência desse grupo, a meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE)
2011-2020, em tramitação no Congresso, foi modificada, abrindo a possibilidade
de atendimento em escolas bilíngues. No
entanto essa opção não é a mais favorável uma vez que não garante o
acesso a todos. Manter escolas bilíngues em todos os bairros do país é uma
tarefa quase impossível e o acesso escolar é um direito. Além disso, priva a
criança de conviver com o diferente. Uma ótima maneira seria se houvesse a capacitação dessas instituições
regulares para melhor atender a todos.
Portanto a solução seria a elaboração e
implementação urgente de políticas públicas que deem suporte à inclusão de
crianças surdas, visando à escola como uma comunidade bilíngue, com livros,
filmes e outros materiais adaptados, sinalizações nas duas línguas,
oportunidades de trabalho a funcionários surdos e realização de palestras e
cursos de libras para todos. Contudo o primeiro passo seria investir em
formação de educadores, tornando a libras parte do cotidiano, não se
restringindo apenas a sala de AEE. Desta forma enquanto o país adiar a adoção
de tais medidas, a inclusão desses estudantes só existirá no discurso.
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/ninguem-fala-mesma-lingua-alfabetizacao-surdos-inclusao-787415.shtml?page=1
Olá Denise!
ResponderExcluirParabéns pela escolha, muito interessante! A escolarização do surdo apresenta muitos obstáculos e penso que a alfabetização seja o maior deles.Como salientado em sua postagem, a alfabetização, geralmente, é baseada nos sons que as letras representam, sabemos que os
surdos não percebem essa relação da mesma forma que os ouvintes .Diante disto, faz-se necessária a reflexão sobre as práticas pedagógicas que estão sendo utilizadas, buscando reelaborar suas práticas, além de procurar por caminhos que oportunizem a esses alunos com necessidades educativas especiais uma alfabetização satisfatória.